segunda-feira, novembro 24

A vida é eterna

Quando você anda numa floresta intocada, onde não houve qualquer interferência humana, vê muito verde exuberante, muita planta brotando, mas também encontra árvores caídas, troncos se deteriorando, folhas podres e, a cada passo, matéria em decomposição. Para onde quer que olhe, vai encontrar vida e morte.
Se prestar mais atenção, vai descobrir que o tronco de árvore em decomposição e as folhas
apodrecendo não só dão origem a nova vida como estão cheios de vida. Há microorganismos em ação. As moléculas estão se reorganizando. Portanto, não há morte em parte alguma dessa floresta. Há apenas a transformação da vida.
" O que vc pode aprender com isso?"
Aprende que a morte não é o contrário da vida. A vida não tem oposto. O oposto da morte é o nascimento. A vida é eterna.


Fonte: Eckhart Tolle

quarta-feira, novembro 19

E se Obama fosse africano?

(...)

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.


Mia Couto (escritor Moçambicano)
Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008

segunda-feira, novembro 17

Para reflectir: adoptar não é comprar!

Mais de 70 casos de adopção falhados nos últimos três anos

Recentemente, um casal que conseguiu a confiança judicial de três crianças devolveu-as após o primeiro fim-de-semana que passou com elas. (...)
No ano passado, 17 crianças em pré-adopção regressaram às instituições. Nos últimos três anos, mais de 70 crianças que foram acolhidas por uma família para adopção foram devolvidas às instituições, segundo números oficiais. (...)
Há quem o faça porque as crianças não se dão bem com o cão que a família já tinha, outras porque as famílias percebem que afinal ter um filho custa muito dinheiro. (...)

DN, 17 Novembro de 2008

terça-feira, novembro 11

Terminou ontem no Vaticano um significativo encontro entre líderes muçulmanos e católicos.
Religiosos e intelectuais, ao mais alto nível, aprofundaram o tema “Amor de Deus, amor ao próximo”- tema que, apesar das diferenças entre as duas religiões, permite adoptar posições comuns, sobretudo, na atenção aos mais necessitados e na defesa dos valores morais.

Correu tudo muito bem e os resultados foram positivos. Mas isto não pode ficar por aqui, disse o Papa no final do encontro. É preciso pôr isto a render, ao serviço de todos e com frutos no dia-a-dia, ultrapassando preconceitos, corrigindo distorções e educando o povo.
Passemos à prática. Por exemplo, dos 15 pontos da declaração final, escolho apenas o nº6: “As minorias religiosas têm direito a ser respeitadas nas suas convicções e a possuir lugares de culto”…

Basta pensar na Arábia Saudita para perceber que isto não acontece com os cristãos. Mas – prossegue o nº6 – “as minorias religiosas têm também o direito a que os seus fundadores e símbolos de referência não sejam ridicularizados”. Basta pensar na Dinamarca e nas polémicas caricaturas de Maomé para perceber que a Europa secularizada não está melhor…

Temos mesmo que aprender a viver uns com os outros!

Aura Miguel

segunda-feira, novembro 3

Dinheiro perdido, nada perdido;
Saúde perdida, muito perdido;
Caráter perdido, tudo perdido.

Provérbio chinês