Um casal foi viajar de férias. Ao voltar, a casa tinha sido arrombada e os ladrões tinham levado tudo que havia.
O marido acusou a mulher, dizendo que não tinha trancado bem a porta. Ela afirmou que ele se esquecera de fechar a porta com a chave. Uma longa discussão começou, até que os vizinhos chamaram um padre para serenar os ânimos.
- A culpa é dela, que sempre foi desleixada, disse o marido.
- Não, a culpa é dele, que não tem atenção ao que faz, respondeu a mulher.
- Um momento, disse o padre. Vivemos a culpar-nos uns aos outros por coisas que jamais fizemos e terminamos carregando um fardo que não é nosso. Será que nunca vos ocorreu a ideia de que os ladrões são os verdadeiros culpados pelo roubo?
Paulo Coelho
sexta-feira, março 31
quarta-feira, março 29
progenitor A e progenitor B
Não defendo que de Espanha nunca venha bom vento nem bom casamento. Mas há aspectos em que é bom não copiar.
É o caso do progenitor A e do progenitor B. A legislação espanhola, numa voragem antifamiliar nunca vista, decidiu substituir no Registo Civil os termos pai e mãe. Crianças espanholas terão agora no seu registo, em vez de pai e mãe, os nomes dos respectivos progenitores – um deles classificado como A e o outro como B. Esta alteração surge na sequência da lei que permite a união entre pessoas do mesmo sexo, incluindo a adopção de crianças.
Para não impor a uma minoria o conceito maioritário de família, a legislação espanhola obriga a sociedade a adoptar o conceito familiar de uma minoria. Apagam-se os termos pai e mãe, provavelmente para não discriminar ninguém. Mantém-se, tendencialmente, a palavra casamento, procurando que a união entre pessoas do mesmo sexo assuma o mesmo significado que o matrimónio entre um homem e uma mulher.
É importante não discriminar nem condenar socialmente ninguém em função da sua orientação sexual.
Mas a palavra discriminar pressupõe também que se trata de forma diferente realidades iguais. Só que a diferença que é, de resto, um direito individual, pressupõe tratamento diferente, isto é, adequado à realidade em causa. Não se impede ninguém de orientar a sua vida íntima de acordo com uma perspectiva que pode divergir da maioria da sociedade. Mas deve impor-se à sociedade concepções particulares de uma minoria? Não estaremos, nesse caso, perante uma discriminação de sentido contrário?
A realidade da família tem entre nós um sentido indesmentível – resulta da união entre duas pessoas de sexo diferente, apoiada num contrato matrimonial.
Este é o traço antropológico da família. Pode pretender-se relativizar (enfraquecendo) o conceito de família. Pode pretender-se ‘ajeitar’ a noção familiar, incluindo-lhe outras (e diferentes) situações. Mas, queira-se ou não, relativizar o conceito de família é mera ilusão ou cosmética: finge tornar igual aquilo que é radicalmente diferente.
Ao longo dos últimos anos, muitos governos parecem indiferentes à valorização da família, não a tomando em conta nas políticas sociais, na fiscalidade e no urbanismo. A desvalorização familiar reflecte-se, por exemplo, na legislação do divórcio. Dissolver o casamento é muito mais simples do que fechar uma pequena empresa. Não se trata de obrigar pessoas a manterem-se casadas contra a sua vontade mas sim de evitar que o casamento seja assumido como algo puramente transitório, descartável como é próprio de qualquer produto de consumo rápido e acelerado.
Isto não significa meter a cabeça na areia: nas famílias não há só coisas boas. Mas uma sociedade que permanentemente desvaloriza ou ignora a família, abdica da sua da unidade essencial e chega, entre outros, ao extremo ridículo dos progenitores A e B.
Este ridículo não é diferente: também mata.
José Luís Ramos Pinheiro
in Correio da Manhã 28/03/06
É o caso do progenitor A e do progenitor B. A legislação espanhola, numa voragem antifamiliar nunca vista, decidiu substituir no Registo Civil os termos pai e mãe. Crianças espanholas terão agora no seu registo, em vez de pai e mãe, os nomes dos respectivos progenitores – um deles classificado como A e o outro como B. Esta alteração surge na sequência da lei que permite a união entre pessoas do mesmo sexo, incluindo a adopção de crianças.
Para não impor a uma minoria o conceito maioritário de família, a legislação espanhola obriga a sociedade a adoptar o conceito familiar de uma minoria. Apagam-se os termos pai e mãe, provavelmente para não discriminar ninguém. Mantém-se, tendencialmente, a palavra casamento, procurando que a união entre pessoas do mesmo sexo assuma o mesmo significado que o matrimónio entre um homem e uma mulher.
É importante não discriminar nem condenar socialmente ninguém em função da sua orientação sexual.
Mas a palavra discriminar pressupõe também que se trata de forma diferente realidades iguais. Só que a diferença que é, de resto, um direito individual, pressupõe tratamento diferente, isto é, adequado à realidade em causa. Não se impede ninguém de orientar a sua vida íntima de acordo com uma perspectiva que pode divergir da maioria da sociedade. Mas deve impor-se à sociedade concepções particulares de uma minoria? Não estaremos, nesse caso, perante uma discriminação de sentido contrário?
A realidade da família tem entre nós um sentido indesmentível – resulta da união entre duas pessoas de sexo diferente, apoiada num contrato matrimonial.
Este é o traço antropológico da família. Pode pretender-se relativizar (enfraquecendo) o conceito de família. Pode pretender-se ‘ajeitar’ a noção familiar, incluindo-lhe outras (e diferentes) situações. Mas, queira-se ou não, relativizar o conceito de família é mera ilusão ou cosmética: finge tornar igual aquilo que é radicalmente diferente.
Ao longo dos últimos anos, muitos governos parecem indiferentes à valorização da família, não a tomando em conta nas políticas sociais, na fiscalidade e no urbanismo. A desvalorização familiar reflecte-se, por exemplo, na legislação do divórcio. Dissolver o casamento é muito mais simples do que fechar uma pequena empresa. Não se trata de obrigar pessoas a manterem-se casadas contra a sua vontade mas sim de evitar que o casamento seja assumido como algo puramente transitório, descartável como é próprio de qualquer produto de consumo rápido e acelerado.
Isto não significa meter a cabeça na areia: nas famílias não há só coisas boas. Mas uma sociedade que permanentemente desvaloriza ou ignora a família, abdica da sua da unidade essencial e chega, entre outros, ao extremo ridículo dos progenitores A e B.
Este ridículo não é diferente: também mata.
José Luís Ramos Pinheiro
in Correio da Manhã 28/03/06
terça-feira, março 28
O porco e a sardinha
"Cientistas norte-americanos criaram porcos transgénicos ricos em ácidos gordos ómega 3- O objectivo é que a sua carne tenha os mesmos benefícios para a saúde que a sardinha."
Diário de Notícias
E eu, humildemente, pergunto: Qual é o interesse? As sardinhas vão acabar? Há perigos para a saúde? Confesso que porco com características de sardinha ou salmão me soa a uma coisa muito esquisita! :-)
Diário de Notícias
E eu, humildemente, pergunto: Qual é o interesse? As sardinhas vão acabar? Há perigos para a saúde? Confesso que porco com características de sardinha ou salmão me soa a uma coisa muito esquisita! :-)
sábado, março 25
o espanto do amor!
Havia, numa povoação deste mundo, dois esposos cujo amor não tinha deixado de crescer a partir do dia do seu casamento. Eram muito pobres, mas cada um sabia que o outro possuía no coração um amor imenso; ele tinha um reláogio de bolso de ouro herdado do pai e pretendia comprar uma corrente de ouro também; ela tinha cabelos louros e compridos e ambicionava uma travessa de madrepérola para poder utilizá-la na cabeça.
Com o passar dos anos, ele pensava cada vez mais na travessa, ao passo que ela já quase a tinha esquecido, mas queria comprar a corrente de ouro para o marido. Havia muito tempo que não falavam disso, mas traziam dentro de si secretamente esse sonho impossível.
Na manhã do 10º aniversário de casamento, o marido viu a mulher que vinha ao seu encontro sorridente, mas com a cabeça quase rapada, sem os seus cabelos louros compridos.
- Que fizeste, minha querida? - perguntou ele admirado.
A mulher abriu as mãos nas quais brilhava uma corrente de ouro.
- Vendi os meus cabelos para comprar a corrente para o teu relógio.
- Minha querida, que foste fazer! - disse o homem abrindo as mãos, nas quais resplandecia uma preciosa travessa de madrepérola.
- Eu vendi o relógio para te comprar a travessa!
Com o passar dos anos, ele pensava cada vez mais na travessa, ao passo que ela já quase a tinha esquecido, mas queria comprar a corrente de ouro para o marido. Havia muito tempo que não falavam disso, mas traziam dentro de si secretamente esse sonho impossível.
Na manhã do 10º aniversário de casamento, o marido viu a mulher que vinha ao seu encontro sorridente, mas com a cabeça quase rapada, sem os seus cabelos louros compridos.
- Que fizeste, minha querida? - perguntou ele admirado.
A mulher abriu as mãos nas quais brilhava uma corrente de ouro.
- Vendi os meus cabelos para comprar a corrente para o teu relógio.
- Minha querida, que foste fazer! - disse o homem abrindo as mãos, nas quais resplandecia uma preciosa travessa de madrepérola.
- Eu vendi o relógio para te comprar a travessa!
sexta-feira, março 24
O casamento
"Amar, ser amado, sentir-se protegido, confortável, capaz, são desejos e vontades aparentemente tão simples mas difíceis de concretizar, como as histórias de divórcio também demonstram."
Anália Cardoso Torres, Divórcio em Portugal, Ditos e Interditos - Uma análise sociológica, Celta Editora, 1996, pág.6
Será o casamento apenas um meio de satisfazer os próprios desejos e necessidades?
Os casados, por favor, respondam-me....
Anália Cardoso Torres, Divórcio em Portugal, Ditos e Interditos - Uma análise sociológica, Celta Editora, 1996, pág.6
Será o casamento apenas um meio de satisfazer os próprios desejos e necessidades?
Os casados, por favor, respondam-me....
Sex generation
"Se em vez de uma love generation, estivermos a criar uma sex generation? Em vez de alguém que espera por crescer para viver, vive para, a pouco e pouco, morrer ou matar partes demasiado sensíveis e importantes da vida
Pedro Strecht, pedopsiquiatra
Pedro Strecht, pedopsiquiatra
quinta-feira, março 23
"passagem"
Não há percurso sem obstáculos, nem obstáculos sem uma "passagem". Há sempre uma "passagem" num caminho sinuoso. E mesmo quando o obstáculo se apresenta inultrapassável, há sempre um impulso no âmago da convicção, seja a teimosia do instinto ou uma qualquer intervenção do transcendente.
Joaquim Franco
Jornalista Sic
----------------------------------------------------------------------------
Os judeus evocam a Páscoa como a passagem do "anjo da morte" ao lado da casa dos filhos de Israel, poupando-os ao sacrifício. Mas fazem a festa como celebração da liberdade e encontro com a "terra prometida" após uma "passagem" pelas adversidades do deserto.
Os cristãos, moldados pela fé na vitória sobre a morte que é esperança de salvação do espírito, reenquadraram o sentido da "passagem" na inevitabilidade da própria vida. A Quaresma, vivida no contexto cíclico de uma natureza que tem de "morrer" para voltar a ser fértil, remete para o sentido das limitações. Para o óbvio das dificuldades vividas ou por viver.
"Morrer" nas contingências do quotidiano, para "nascer" de novo e descobrir a "passagem" dos obstáculos que atormentam. O deserto que os calendários religiosos lembram por estes dias é por isso uma metáfora da própria existência. No limite do inexplicável, a liturgia cristã deste tempo lembra o episódio de um homem que, no extremo do sofrimento, perdoa os que não o compreendem e lhe causam a morte.
Um absurdo? Embora transversal e inevitável nas relações, o "perdão" é hoje uma palavra gasta, um valor incompreendido. Implica dois sentidos. Só perdoa quem promove sinceramente a valorização do outro para voltar a fazer encontro. A paz, na dimensão utópica da plenitude ou na concretização pontual e verdadeira, é sempre uma "passagem" no final de um percurso com difíceis atalhos de perdão…
Joaquim Franco
Jornalista Sic
----------------------------------------------------------------------------
Os judeus evocam a Páscoa como a passagem do "anjo da morte" ao lado da casa dos filhos de Israel, poupando-os ao sacrifício. Mas fazem a festa como celebração da liberdade e encontro com a "terra prometida" após uma "passagem" pelas adversidades do deserto.
Os cristãos, moldados pela fé na vitória sobre a morte que é esperança de salvação do espírito, reenquadraram o sentido da "passagem" na inevitabilidade da própria vida. A Quaresma, vivida no contexto cíclico de uma natureza que tem de "morrer" para voltar a ser fértil, remete para o sentido das limitações. Para o óbvio das dificuldades vividas ou por viver.
"Morrer" nas contingências do quotidiano, para "nascer" de novo e descobrir a "passagem" dos obstáculos que atormentam. O deserto que os calendários religiosos lembram por estes dias é por isso uma metáfora da própria existência. No limite do inexplicável, a liturgia cristã deste tempo lembra o episódio de um homem que, no extremo do sofrimento, perdoa os que não o compreendem e lhe causam a morte.
Um absurdo? Embora transversal e inevitável nas relações, o "perdão" é hoje uma palavra gasta, um valor incompreendido. Implica dois sentidos. Só perdoa quem promove sinceramente a valorização do outro para voltar a fazer encontro. A paz, na dimensão utópica da plenitude ou na concretização pontual e verdadeira, é sempre uma "passagem" no final de um percurso com difíceis atalhos de perdão…
o erro
Errar é humano.
Pôr a culpa em alguém é estratégico.
A frase não é minha. Vi-a no meu local de trabalho, onde a segunda hipótese é tantas vezes utilizada...
Pôr a culpa em alguém é estratégico.
A frase não é minha. Vi-a no meu local de trabalho, onde a segunda hipótese é tantas vezes utilizada...
terça-feira, março 21
A árvore
Assemelha-te de novo à árvore que amas, a árvore de grandes ramos : silenciosa e atenta, ela deixa-se pender sobre o mar.
Friedrich Nietzsche
Friedrich Nietzsche
Hoje é dia da Árvore e da Poesia
Árvore, cujo pomo, belo e brando
Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;
nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruito debuxando.
Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,
se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.
Luís Vaz de Camões
Árvore, cujo pomo, belo e brando,
natureza de leite e sangue pinta,
onde a pureza, de vergonha tinta,
está virgíneas faces imitando;
nunca da ira e do vento, que arrancando
os troncos vão, o teu injúria sinta;
nem por malícia de ar te seja extinta
a cor, que está teu fruito debuxando.
Que pois me emprestas doce e idóneo abrigo
a meu contentamento, e favoreces
com teu suave cheiro minha glória,
se não te celebrar como mereces,
cantando-te, sequer farei contigo
doce, nos casos tristes, a memória.
Luís Vaz de Camões
segunda-feira, março 20
Saber
o saber alegre bate a palavra-pão
a cidade desenha-se em pó azul
então já não há nada para dizer
apenas o limbo cortante do silêncio
avanço nas linhas e nos lugares
da pedra seco, bato a batida dos dentes
onde a palavra salta, matriz unica
é o silêncio ainda que oiço
aqui rente ao chão do sol sem sombra
deitado na folha húmida onde bate o
dente até à entrenha do mar,sereno
José Gil
O filósofo morreu hoje
a cidade desenha-se em pó azul
então já não há nada para dizer
apenas o limbo cortante do silêncio
avanço nas linhas e nos lugares
da pedra seco, bato a batida dos dentes
onde a palavra salta, matriz unica
é o silêncio ainda que oiço
aqui rente ao chão do sol sem sombra
deitado na folha húmida onde bate o
dente até à entrenha do mar,sereno
José Gil
O filósofo morreu hoje
domingo, março 19
que tens a ver com isso?!
Algumas pessoas encontravam-se a bordo de uma barca. Uma delas pega numa broca e começa a fazer um buraco no chão. Os outros passageiros, ao vê-lo, dizem-lhe:
- Que fazes?
- Que tendes a ver com isso? Acaso não estou a fazer um buraco só debaixo do meu assento? - respondeu.
mas eles replicaram:
- É verdade, mas a àgua vai entrar e afogar-nos-emos todos!
- Que fazes?
- Que tendes a ver com isso? Acaso não estou a fazer um buraco só debaixo do meu assento? - respondeu.
mas eles replicaram:
- É verdade, mas a àgua vai entrar e afogar-nos-emos todos!
sexta-feira, março 17
Números para pensar
- 1,7 milhões de pessoas morrem por ano por não terem acesso a água
- 3900 crianças morrem cada dia que passa devido a doenças relacionadas com água
ONU
- 3900 crianças morrem cada dia que passa devido a doenças relacionadas com água
ONU
10 mil indispensáveis
A gripe das aves já está a criar algumas vítimas em Portugal. As autoridades de saúde portuguesas já escolheram quem serão as pessoas a vacinar no caso de a gripe das aves chegar a Portugal. Da lista fazem parte 10 mil pessoas "indispensáveis". Pergunto-me como chegaram a esse número e a essas 10 mil pessoas. Ao que li foram escolhidos médicos, enfermeiros e outras pessoas essenciais para manter o país a funcionar em caso de crise grave.
Presumo não estar nessa lista... Será que dá para meter uma cunha? :-)
Presumo não estar nessa lista... Será que dá para meter uma cunha? :-)
quinta-feira, março 16
A concha
A minha casa é uma concha.
Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
(...)
A minha casa...
Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra da memória.
Vitorino Nemésio
Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.
(...)
A minha casa...
Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra da memória.
Vitorino Nemésio
quarta-feira, março 15
Se te sentires perdido...
Se te sentires perdido numa noite assim
Em que as estrelas se misturam pelo chão
Com o vento e a poeira
As lembranças e os cansaços
Que te fazem procurar o teu lugar
Se te sentires perdido numa noite assim
À deriva pelo meio da multidão
Sem saber qual é o caminho certo
E o momento de parar
E ouvir a voz do teu coração
Pode ser que encontres no olhar de alguém
O teu mundo perdido
A cor do teu céu
Uma chama que a lua faz dançar no escuro
Um desejo escondido
E o que ficou nos teus sentidos
de alguma canção
Mafalda Veiga
Em que as estrelas se misturam pelo chão
Com o vento e a poeira
As lembranças e os cansaços
Que te fazem procurar o teu lugar
Se te sentires perdido numa noite assim
À deriva pelo meio da multidão
Sem saber qual é o caminho certo
E o momento de parar
E ouvir a voz do teu coração
Pode ser que encontres no olhar de alguém
O teu mundo perdido
A cor do teu céu
Uma chama que a lua faz dançar no escuro
Um desejo escondido
E o que ficou nos teus sentidos
de alguma canção
Mafalda Veiga
domingo, março 12
o tamanho do coração...
Certa manhã levei os meus alunos ao Laboratório de anatomia humana da Universidade.
Estavamos observando alguns orgãos, quando deparámos com um coração extraordinariamente grande.
Perguntei aos alunos se sabiam dizer-me a quem esse coração teria pertencido, pretendendo eu saber qual fora a doença que teria causado a morte da pessoa.
- Eu sei - disse um rapaz muito sério. - Era o coração de uma mãe.
........................................................................
e o teu... que tamanho terá?
Estavamos observando alguns orgãos, quando deparámos com um coração extraordinariamente grande.
Perguntei aos alunos se sabiam dizer-me a quem esse coração teria pertencido, pretendendo eu saber qual fora a doença que teria causado a morte da pessoa.
- Eu sei - disse um rapaz muito sério. - Era o coração de uma mãe.
........................................................................
e o teu... que tamanho terá?
quinta-feira, março 9
Amor
O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício.
Sthendal
Sthendal
Maximiliano Kolbe
Nasceu na Polónia. Mais tarde tornou-se padre católico. Com a invasão nazi da Polónia foi preso e levado para o campo de concentração de Auschwitz.
A regra para o caso de fuga do campo era simples e demolidora: por cada fugitivo, 10 pessoas eram colocadas em celas sem comer nem beber à espera da morte.
Um dia um grupo de homens fugiu. Os carrascos começaram a escolher ao acaso quem ia pagar pela fuga. Um deles era casado e pai de crianças pequenas. O Padre Kolbe ofereceu-se para morrer no seu lugar. E foi isso mesmo que aconteceu. Sem um queixume, Kolbe morreu no lugar de outra pessoa.
Quantos de nós fariam o mesmo?
quarta-feira, março 8
Felicidade
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos de minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor...
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
Tom Jobim
Felicidade sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos de minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor...
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
Tom Jobim
segunda-feira, março 6
Os versos que te fiz
Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.
Florbela Espanca
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !
Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !
Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.
Florbela Espanca
sábado, março 4
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner
sexta-feira, março 3
A memória
Um grupo de cientistas da Universidade de Harvard descobriu uma forma de eliminar no cérebro as experiências traumáticas. Basta tomar 4 comprimidos de uma determinada substância e os investigadores garantem que os memórias más serão esquecidas.
Agora eu pergunto:
- Será isto uma forma saudável de lidar com às más memórias?
Eu acredito que esquecemos o que precisamos de esquecer. Se as más memórias "se fazem lembrar" é porque lidar com elas nos ajuda a crescer.
Agora eu pergunto:
- Será isto uma forma saudável de lidar com às más memórias?
Eu acredito que esquecemos o que precisamos de esquecer. Se as más memórias "se fazem lembrar" é porque lidar com elas nos ajuda a crescer.
quinta-feira, março 2
O pote rachado
Havia na Índia um carregador de rua que transportava dois potes grandes de barro. Um dos potes tinha uma racha e o outro era perfeito. O pote perfeito chegava sempre cheio ao final do longo caminho que ia do poço até à casa do patrão. Mas o pote rachado chegava apenas com metade da água.E assim, durante dois anos, o carregador entregou diariamente um pote e meio de água em casa do seu senhor. O pote perfeito, é claro, estava orgulhoso do seu trabalho. O pote rachado estava envergonhado da sua imperfeição. Sentia-se miserável por apenas ser capaz de realizar metade da tarefa a que estava destinado.Depois de perceber que, ao longo de dois anos, não tinha passado de uma amarga desilusão, o pote disse um dia ao homem:
- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se derramasse ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário.
O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:
- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores à beira do caminho.
De facto, à medida que subiam a montanha, o pote rachado reparou que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado. Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha. Então o homem disse ao pote:
- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vinhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça na sua casa.
- Estou envergonhado e quero pedir-te desculpa. Durante estes dois anos só entreguei metade da minha carga, porque a minha racha faz com que a água se derramasse ao longo do caminho. Por causa do meu defeito, tu fazes o teu trabalho e não ganhas todo o salário.
O homem ficou triste com a tristeza do velho pote, e disse-lhe com compaixão:
- Quando voltarmos para casa do meu senhor, quero que repares nas flores à beira do caminho.
De facto, à medida que subiam a montanha, o pote rachado reparou que havia muitas flores selvagens à beira do caminho e ficou mais animado. Mas no final do percurso, tendo-se vazado mais uma vez metade da água, o pote sentiu-se mal de novo e voltou a pedir desculpa ao homem pela sua falha. Então o homem disse ao pote:
- Reparaste em que, ao longo do caminho, só havia flores de teu lado? Reparaste também em que, quando vinhamos do poço, todos os dias, tu ias regando essas flores? Ao longo de dois anos, eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se tu não fosses assim como és, ele não poderia ter essa beleza para dar graça na sua casa.
quarta-feira, março 1
Aborto
Sabes que o aborto já é permitido, em Portugal,
- em casos de violação da mãe?
- má formação do feto?
- e risco de saúde para a mulher ou para o feto?
- em casos de violação da mãe?
- má formação do feto?
- e risco de saúde para a mulher ou para o feto?
Subscrever:
Comentários (Atom)