Não conheci a Idalina. Sei que tinha 30 anos e era voluntária dos Leigos para o Desenvolvimento em Fonte Boa, Moçambique. Era advogada e deixou a sua vida em Aguiar da Beira para partir para trabalhar de graça num país pobre. A casa onde vivia não tinha electricidade. Um gerador funcionava apenas até às 21 horas. Li na Visão que incentivava os camponeses a plantar morangos, girassol e a criar coelhos e galinhas. Além disso, dava catequese e ajudava na construção de um lar para órfãos de Sida.
Não conheci a Idalina mas conheci outras pessoas que estiveram em missão. Tive o privilégio de poder viver numa comunidade missionária algumas semanas. Vi a entrega, o amor em cada gesto, em cada passo do trabalho que fazem. Não é com os olhos que se percebe por que razão partem. A verdade é que a sua vida toca e transforma a dos outros. Tocou e transformou a minha.Certamente, a Idalina tocou muitas vidas. Um menino moçambicano ter-lhe-á escrito um dia uma carta de amor: "A minha vida sem ti é como uma enxada sem cabo".
A Idalina foi a enterrar hoje. Foi assassinada em missão.
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