quarta-feira, junho 18

e se fosse comigo?...




Hoje assisti pela primeira vez, a uma demolição de uma casa de um bairro degradado.

Vi os senhores da Câmara a retirarem a cama, os electrodomésticos, os colchões, (etc) de dentro de uma casa e depois uma máquina entra pelas suas paredes a dentro.
Cá fora, ficam empilhados os poucos bens...misturada no meio das ruínas da casa fica o resto de dignidade humana daquelas pessoas.

À volta outros moradores olham impotentes... "coitado dele... agora onde vai ficar?"
Os olhos tristes de quem nada pode fazer e para quem já se tornou rotina este tipo de acontecimentos.

Pensei um pouco... e se fosse comigo?...



Como é importante ver mais além, ver para lá das aparências, daquilo que apenas os nossos olhos acomodados vêem! Afinal, quem diz que não pode acontecer comigo?


2 comentários:

Pedro Leal disse...

Por detrás da crueldade das imagens, está uma verdade - a barraca era clandestina, poderia até estar a ocupar um terreno, cujo dono nada poderia fazer para alterar a ordem das coisas(é pura suposição minha, dado não haver dados na noticia)...
Eu compreendo que por vezes há muitas injustiças, mas também encontramos vários pobres de espirito com barraca, mas com carro, TV satelite e etc. Há ainda "os profissionais das barracas" que esperam por uma casa - oferta social de qualquer camara... Por isso eu digo: Há que ter bom senso na avaliação de cada caso e ter o coração aberto para partilhar com quem realmente precisa.

AMCF disse...

Olá Pedro

é verdade que a casa era clandestina, num terreno onde irão construir brevemente. é verdade que existem "profissionais das barracas"...

mas na verdade, ali foi despejada uma pessoa... sem querer tirar todas as razões que possam justificar o acto da Câmara, existe a dignidade de cada Ser Humano. E é essa dignidade "mínima" de que falo.

não podemos demolir e pensar que deixa de existir um problema. O problema existe e continuará a existir.

tentei colocar-me no lugar dela... se eu fosse emigrante, sem papeis, sem segurança, emprego precário, se tivesse ido à procura de uma vida melhor mim e para a minha família e de repente ficava a viver na rua... como é que me sentiria?... não sei, mas não deve ser nada agradável...