Vivo sempre um sentimento estranho na passagem de ano.
Fazemos uma grande festa ao passar do dia 31 para o dia 1.
Acho que acaba por ser uma forma de celebrar o facto de estarmos vivos. E com isso concordo!
Mas devíamos fazê-lo todos os dias!
No dia 30, estive na Praça do Comércio. No centro, palco montado com música a altos berros. Tudo preparado para a festa de dia 31.
Nas arcadas, uma dezena de sem-abrigo aquecia-se com os seus cobertores. Um jovem dizia, com tranquilidade, como quem fala de outra pessoa: "Os meus pais nunca me quiseram. Não é agora que me vão querer".
Ao chegar ao quentinho da minha casa, pensei nos homens e mulheres que deixara para trás, nas ruas em que ficam todos os dias, ao frio, sem ninguém que lhes diga: "Amo-te!" ou "Deixei-te um cházinho quentinho!".
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