sexta-feira, agosto 25

(...) Todos, sem excepção, temos as lágrimas do diabo a correr-nos nas veias, como temos, se calhar, o sorriso de Deus a passar-nos no coração. Por isso somos tão bons e tão maus, tão incertos e tão contraditórios, capazes de grandes heroísmos e das piores vilezas. Todos nós. (...)

O pranto de Lúcifer, Rosa Lobato de Faria

quinta-feira, agosto 24

Para quê?

Certa vez o Mestre falou de um vizinho, na aldeia, que tinha obsessão por adquirir terras.

- gostava de ter mais terras - disse ele, um dia.
- Mas, porquê? - perguntou o Mestre. Não tem já o bastante?
- Se eu tivesse mais terras, poderia criar mais vacas. Vendê-las-ia e ganharia mais dinheiro.
- Para quê?
- Para comprar mais terras e criar muitas vacas...




Anthony de Mello in Verdades de um minuto

terça-feira, agosto 22

como trazes a janela do coração?

Certo homem não acreditava que Deus o amasse. Um dia, enquanto caminhava nos arredores da sua cidade, encontrou um pastor, o qual vendo-o triste e amargurado, lhe perguntou:

- Que tem, meu amigo?
- Ando triste, porque me sinto só.
- Eu também estou só, mas não ando triste!
- Será porque Deus o acompanha?...
- Precisamente.
- Pois eu não gozo da presença de Deus. Não sou capaz de acreditar no seu amor. Como pode acontecer que ame a todos, e me ame também a mim pessoalmente?
- Vê a cidade lá em baixo? - disse o pastor. - Vê cada uma das casas com as suas janelas?... Pois bem, então não perca a esperança. O sol é somente um; e no entanto todas as janelas, mesmo as mais pequenas, recebem cada dia o beijo do sol e são iluminadas pela sua luz. Porventura o meu amigo anda triste porque traz fechada a janela do seu coração?

quinta-feira, agosto 17

o livro de orações

Um agricultor pobre, ao regressar à noite do mercado, reparou que não trouxera consigo o seu livro de orações. O seu carro tinha perdido uma roda no meio dum pinhal, e ele angustiava-se por não poder rezar as suas orações antes de se deitar.

Então rezou deste modo: "cometi um erro grave, Senhor. Saí de casa esta manhã sem trazer comigo o livro de orações, e tenho pouca memória, e por isso não consigo rezar sequer uma. Mas vou dizer lentamente o alfabeto cinco vezes, e Vós que conheceis as orações todas, podeis juntar as letras umas às outras, e assim compor as orações".

Disse então o Senhor aos seus anjos: " De todas as orações que hoje escutei, esta é sem dúvida a mais bela, porque brotou de um coração simples e sincero".

sexta-feira, agosto 11

Novo significado para "olho por olho e dente por dente"

Nahariyah, Israel
Numa estranha reviravolta no campo de batalha, uma vítima israelita da violência no Médio Oriente ajudou um árabe a recuperar a visão.
Na semana passada, um ataque mortal no norte de Israel vitimou dois irmãos israelitas. Ambos eram maridos com filhos. No imediato, era difícil para os presentes no local pensar em algo mais para além do terror. Mas o seu irmão sobrevivente pensou e perguntou aos cirurgiões se os olhos do irmão podiam ser doados para ajudar outros com necessidade de assistência médica.
Havia uma longa lista de pacientes, incluindo um árabe, Nikola Elias, cego de um olho e quase a perder a visão do outro. O cirurgião oftalmológico Uri Rehany recebeu luz verde. Motti Tamam disse-lhe para avançar e usar os olhos do irmão para ajudar um homem árabe, como se fosse um judeu.

Recuperar a visão e alguma esperança
A operação teve lugar no hospital de Nahariyah, no norte de Israel. Os médicos trabalharam no chão porque o edifício fora atingido por um rocket Katiusha. Na manhã seguinte Elias conseguia ver o seu novo olho.
"Ele consegue ler números," disse Rehany.
Quando soube que um homem judeu era o dador, Elias ficou confuso, disse o médico.
"Há uma guerra entre israelitas e árabes e ele recebe uma córnea de um judeu que foi morto por um missil árabe, " disse Rehany.
Agora, uma semana depois, o olho direito de Elias está a recuperar perfeitamente. E os dois encontram-se. "Sinto-me feliz porque algo do meu irmão está aqui," disse Tamam. "Agora o meu irmão pode ver." Eles deram as mãos, trocaram números de telefones e trocaram palavras de esperança. Elias recebeu uma dádiva preciosa numa zona de guerra.

Fonte : Abcnews

segunda-feira, agosto 7

Sal da terra

Esta semana, dois primos, de 15 e de 12 anos, brincavam com o que não deviam, uma espingarda. Como a notícia chegou até aqui é porque correu mal. A arma disparou acidentalmente e matou o de 15 anos. O CM contou a história. Ontem, o jornal, ao correr da pena sobre o funeral, contou também que o pai do garoto morto teve o cuidado de acalmar o sobrinho que disparou. E, contou ainda o jornal, esse senhor fez a doação dos órgãos do filho para transplantes, para salvar outras vidas. (...) Se os jornais estão cheios de actos e protagonistas para esquecer, não sei porque não se hão-de relembrar os gestos e os homens que nos dão esperança.


Ferreira Fernandes, Correio da Manhã, 7 de Agosto de 2006